E começamos esta viagem poética pela sua homenagem à figura maternal, dele e de todos nós:
(Fotografia do arquivo da família)
um blogue que homenageia e recorda uma das grandes figuras de Cacilhas do século XX
E começamos esta viagem poética pela sua homenagem à figura maternal, dele e de todos nós:
(Fotografia do arquivo da família)
Isso aconteceu, fundamentalmente, por ter sido um dos elementos mais válidos e presentes, no dia-a-dia da nossa Associação Cultural durante mais de década e meia. Não se limitou à sua história, a todo o seu passado como dirigente associativo e activista cultural, quis ir sempre mais longe, continuando a partilhar o seu conhecimento e a pôr em prática muitas das suas ideias.
Não foi por acaso que o Fernando foi escolhido como seu primeiro Presidente de Direcção (no biénio 1994/95). E estes dois primeiros anos de vida foram verdadeiramente decisivos, para o notável crescimento e implantação cultural da SCALA em Almada.
Depois foi o seu Presidente da Mesa da Assembleia Geral de 1996 a 2007 (apenas com um interregno no mandato 2001/02), com um papel importante na resolução de vários problemas, que normalmente são apelidados - e muito bem -, como "dores de crescimento".
Além de ter sido o "Pai" das "Tertúlias do Dragão", uma das iniciativas mais marcantes da vida da SCALA e que teve mais de 100 edições em mais de dez anos, uma vez por mês. Foi também o proponente da atribuição do "Prémio Scalano", que teve sete edições e premiou gente de grande valia do Concelho. Fez também parte do júri do concurso de fotografia "Almada a Terra e as Gentes", mais uma excelente iniciativa cultural, que visitou todas as freguesias de Almada. E poderia continuar a falar de inúmeras iniciativas, que contaram com a sua colaboração e foram um sucesso local.
Foi por todas estas razões que nas comemorações do vigésimo aniversário da SCALA lhe foi atribuído, muito justamente, o diploma de "Sócio de Mérito".
(Fotografia de Luís Eme)
Por essa razão, durante os meses de Março e Abril, iremos recordar 30 scalanos e scalanas, que deixaram a sua marca nesta caminhada de três décadas pelos trilhos da Cultura Almadense, e também referir algumas curiosidades.
E para começar, nada melhor que recordar e louvar os 15 fundadores da Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada: Fernando Barão, Diamantino Lourenço, Henrique Mota, Arménio Reis, Abrantes Raposo, Victor Aparício, Jorge Gomes Fernandes, Virgolino Coutinho, Henrique Costa Mota, João da Cunha Dias, José Luís Tavares, Álvaro Costa, Artur Vaz, Manuel Lourenço Soares e Gil Antunes.»
(Fotografia de Álvaro Costa)
Nota: Texto publicado no blogue da SCALA no dia 1 de Março, que transcrevemos aqui, por todas as razões e mais algumas. Informamos que por aqui também será o "mês da SCALA", focando a importância do Fernando Barão na vida desta Associação cultural.
O crescimento e a abrangência que se deu nos primeiros dez anos (impensável para muitos...) de vida da SCALA, devem-se muito a ele. À paixão pelas coisas da cultura ele somava uma série de atributos humanos, que conseguiam conquistar gente de quase todas as áreas das artes e letras.
O que poderia ser uma simples Sociedade Literária (a maior parte dos fundadores estava ligada ao mundo das letras), estendeu-se para as artes plásticas, para a fotografia, e para todos os géneros de cultura, ao ponto de se darem passos para a organização de uma exposição artística anual, que hoje é a nossa "Festa das Artes da SCALA" (e já vai na sua 29.ª edição...).
O seu carisma, aliado à vontade de fazer, de criar, conquistaram alguns bons seguidores (como foi o nosso caso), porque finalmente tinha uma Associação apenas Cultural (sem o desporto e o recreio a confundir as coisas), para aproximar a cultura das pessoas, para que se tornasse mais fácil pensarem pelas suas cabecinhas. E depois tinha outra coisa muito importante, além de "influenciador", era um "facilitador", no que existe de melhor nesta palavra. Sempre que podia, tornava o difícil fácil, desarmando os "velhos do restelo" (que andam sempre à nossa volta), que preferiam o comodismo à activismo.
O Fernando, além de todas estas coisas, tinha ainda uma grande generosidade. Gostava de surpreender, ensinar e divertir os outros. Mesmo as anedotas que tanto gostava de nos oferecer, muitas vezes tinham uma importante componente social.
Provavelmente as "Tertúlias do Dragão" são aquilo que mais lhe conseguimos colar à pele, por tudo o que elas tiveram de positivo junto de muitos de nós: a oferta de cultura com a possibilidade de convivermos, sempre num ambiente de grande amizade e companheirismo, e até de cumplicidade.»
Nota: texto publicado inicialmente no blogue da SCALA, o primeiro da série "Gente da História da SCALA", nas comemorações do 30.º aniversário da Associação.
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
A mesa de honra foi composta por Fátima Barão Dias (filha do homenageado), Maria de Assis (presidente da União de Juntas de Freguesia de Almada), Donitília Cardoso (directora da USALMA), Maria de Lourdes Albano (presidente da Associação de Professores de Almada) e Luís Milheiro, escritor e amigo do autor, que fez a intervenção de fundo da homenagem, partilhando alguns dos aspectos mais importantes da personalidade deste grande vulto do Associativismo e da Cultura Almadense.
Foram partilhadas imagens com história de Fernando Barão, para de seguida se abrir a homenagem à plateia, com os testemunhos de Henrique Costa Mota, Maria Gertrudes Novais, Joaquim Barbosa, António Matos e José Manuel Maia, cujas intervenções nos ofereceram mais história, mais cultura e mais emoção, que ainda valorizaram mais esta iniciativa.
A sessão foi encerrada pela representante do Município, Cristina Pais, directora da Cultura, que além de agradecer a realização da homenagem, se mostrou bastante agradada por lhe ter sido dado a conhecer um Grande Almadense.
Foi sem qualquer dúvida, um belo momento de homenagem a uma das grandes figuras de Almada do século XX.
(Fotografia de Maria Gertrudes Novais)
Ele acreditava no que Vergílio Ferreira escrevera um dia (e antes dele outros...), que "A Cultura só se aprecia, depois de se ser culto". Foi por isso que deu muitas "aulas" de cultura, nas muitas colectividades que passou durante a sua longa vida, com pequenos ensinamentos e exemplos retirados no nosso dia-a-dia, oferecendo pequenas pistas de livros que se deviam ler.
Tinha uma grande bagagem cultural porque gostava de tudo, de literatura (de ler, escrever e contar...), de teatro (de ver, de escrever e de fazer...), de cinema (aqui era mais ver...), de música (mesmo sem ser um afinadinho gostava de cantar - fez parte de um grupo de canto coral - e de tocar a sua harmónica), e de fotografia (chegou a ser premiado em salões de fotografia...).
E tinha uma coisa muito importante, fugia da "cultura chata", aquela que podia dar sono ou fazer com que as pessoas estivessem nos sítios sem lá estar. Tinha a percepção de que que o começo de tudo devia ser agradável, desde os livros até ao teatro ou cinema. Não se podia começar pelas obras mais difíceis de entender, que mais nos obrigavam a pensar. Essas ficavam para depois de se gostar...
Acho que fomos grandes amigos por partilharmos a mesma "ideologia" cultural e gostarmos de espalhar e partilhar as coisas boas de que gostávamos...»
(Fotografia de Elsa Carvalho - Cacilhas)
(Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória")
Recebeu um título diferente, para não ficar tão vinculada à SCALA, mas as imagens são as mesmas que estiveram na Sede/ Galeria desta Associação Cultural Almadense.
Fernando Barão começou por ser atleta do Clube. Fez ginástica desportiva e atletismo (treinado pelo seu melhor amigo, Henrique Mota, companheiro de tantas aventuras associativas, desportivas e culturais...).
Depois foi muitas coisas... dirigente, com múltiplos cargos, ocupando também os seus cargos máximos, como Presidente de Direcção e Presidente da Mesa da Assembleia Geral, em vários mandatos.
Graças à sua criatividade e ao seu espírito de iniciativa foi o promotor de muitas actividades culturais ao longo dos anos. Talvez a mais relevante tenha sido a sua participação nas comemorações do cinquentenário do Ginásio, com a organização do "1.º Encontro das Colectividades Populares de Almada" e do colóquio, "Problemas da Juventude", que se realizou em 1970 e chamou a atenção da PIDE/ DGS, para não variar...
Toda esta vivência ginasista (e conhecimento), fez com que escrevesse em parceria com o seu amigo de sempre, Henrique Mota, a história do Ginásio Clube do Sul, nas comemorações dos 75 anos da vida da Colectividade Cacilhense. Livro que seria intitulado, "Ginásio Clube do Sul - 75 anos de Glória".
Foi também o ideólogo do "Prémio Literário Henrique Mota", na vertente do conto desportivo, em homenagem ao seu grande amigo, um ano depois deste nos ter deixado, que seria organizado pelo Ginásio Clube do Sul e pela SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada.
Como recompensa de toda esta dedicação foi premiado com os Diplomas de Sócio de Mérito e de Sócio Honorário e também com o "Prémio Ginasista", sendo hoje uma das grandes figuras da história da Colectividade Cacilhense.
(Fotografia de Álvaro Costa)
Com a ausência de qualquer estabelecimento de ensino secundário (mesmo particular...) no Concelho de Almada, nos anos 1930 e 1940 (só na segunda metade dos anos 1950 é que surgiu o "Colégio do Gato" e mais tarde o "Externato Frei Luís de Sousa"...), Fernando Barão matriculou-se no Liceu Passos Manuel, onde fez o ensino liceal.
A sua paixão pela natureza e pelos animais fez com que a sua opção universitária fosse o curso de ciências veterinárias. A quase ausência de saídas profissionais (a via militar era quase a única possibilidade...) e alguma desilusão com o curso, fez com que desistisse e arranjasse emprego na função pública.
Quem não ia achando grande piada a estas escolhas profissionais era o mestre relojoeiro e ourives, António Severino, seu pai, que o desafiara mais que uma vez a trabalhar a seu lado no estabelecimento de Cacilhas (até por ser o único herdeiro...). Ao fim de muitas tentativas lá conseguiu convencer o filho, que não só se tornou o grande companheiro do pai como acabaria por herdar o negócio, mantendo a relojoaria e ourivesaria aberta até se reformar, no começo da Cândido dos Reis...
Apesar de pequena, a loja estava sempre cheia de amigos. Era local de passagem de associativistas, campistas, caçadores, pescadores e outros contadores de histórias, que paravam sempre por ali, nem que fosse por cinco minutos, para ouvirem ou partilharem qualquer história ou anedota, o que acabava por lhes abrir o sorriso e dar ânimo para o resto da viagem, graças ao "Barão de Cacilhas"...
Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...