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segunda-feira, 10 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (11)


Camões

Camões, grande Camões...
Não sei se foste o maior poeta português. 
Não sei se foste o poeta mais infeliz.
Sei que tem havido neste país, de letras lusitanas, muitos bons poetas e muitos grandes infelizes (alguns também poetas).
Mas sei que foste escolhido como padrão simbólico da raça nacional e isso coloca-te na elevação máxima da poesia portuguesa.
Eu, por mim, reconheço que tens, nos teus poemas, a tal sintonia musical que tanto adoro...
Se tivesse tempo para te homenagear fa-lo-ia em verso.
Aqui vai a tentativa.


O Retrato de Camões

Embora por caminhos controversos
Essa sabedoria de fio d' água
transformou-se em oceano.

Houve planícies e montes tão diversos
Que encheram o teu ser de grande mágoa
E levaram o teu rumo a todo o pano.

E essa vida errante
Aumentou-te conhecimentos
Que te fizeram glorioso e humano...

Oh poeta de contrastes,
Épico e amoroso,
Bem ufano
Entre as damas de cordel e do paço,
Das brigas arruaceiras sem cansaço,
Do espírito tirano.
Só que o teu valor sobrepujou
Todos os acidentes
Nesse teu viver insano.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]



sexta-feira, 24 de maio de 2024

A paixão do Fernando pelo Benfica


Embora o Fernando nunca fosse um "doente da bola", era um adepto ferveroso do Benfica.

Era outra das nossas afinidades: sermos Benfiquistas.

Lembro-me de conversarmos sobre a suas idas ao futebol, na adolescência, à "Estância de Madeiras" no Campo Grande, onde o Benfica jogou "provisoriamente" entre 1941 e 1954, depois de ter sido "despejado" do seu Campo das Amoreiras, até à construção e inauguração do Estádio da Luz.

O Fernando levava lanche e passava o dia na Capital a ver futebol, desde os principiantes, passando pelas reservas e acabando na equipa principal.

Era um fartote de futebol e de Benfica.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

"O (nosso) Barão de Cacilhas"


Fernando Barão sempre foi conhecido pelos amigos, de uma forma descontraída e alegre, como o "Barão de Cacilhas". 

Embora ele prezasse muito os seus valores democráticos republicanos, não só não se incomodava com este tratamento, como era menino para "alimentar" a graça, aqui e ali.

Quando o Fernando completou 90 fez-se um espectáculo no Salão de Festas da Incrível, memorável, organizado pela Incrível, SCALA e O Farol. Houve espaço para a música, para a poesia, para o teatro e até para o cinema (com um pequeno filme realizado pelo seu neto mais velho, o Pedro).

O pequeno número de teatro que subiu ao palco, foi mesmo sobre "O Barão de Cacilhas". A pequena peça de um acto interpretada por Francisco Gonçalves, Orlando Laranjeiro, José Ganhão e Luís Milheiro (autor do texto) era uma comédia, onde se brincava com o facto de existir um Barão em Cacilhas em plena República.

Nota: Existiu mesmo um Barão de Cacilhas no século XIX. A Rainha D. Maria II agraciou um dos militares que mais se destacaram nos combates da Guerra Liberal, contra as forças militares do brigadeiro Teles Jordão (que seria derrotado e morto em Cacilhas a 23 de Julho de 1833), o coronel Romão José Soares, com o título de Barão de Cacilhas.


O prometido "Largo Fernando Barão" tornou-se realidade

Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...