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terça-feira, 19 de novembro de 2024

Poemas com Dedicatória (quatro)

 



Barão de Além Tejo
 
Barão é muito mais que um apelido
Que veio do Sul, de Além Tejo,
É um nome que tem feito história
Distante de títulos e brasões
Graças à sua excelente memória
Que dá luz e vida à língua de Camões
Enchendo de orgulho a gente do povo
Porque a sua verdadeira nobreza
É a do homem livre, sempre novo,
Sem manias e hábitos de grandeza.
 
Cacilhense de origem e paixão
Nunca escondeu a alma de renascentista,
Sempre quis fazer o que lhe apeteceu,
Sem se atemorizar com a perfeição.
A poesia das suas palavras e do seu olhar
Nunca foram um estorvo
À sua arte única de contar
Uma boa história ou anedota.
Ainda hoje, sente uma grande alegria
Quando consegue despertar uma sonora risota... 

Luís Milheiro

(Fotografia de Elsa Carvalho)


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Poemas com Dedicatória (três)

 



O Fernando Barão
 
 
O Fernando é o Barão que eu vejo
Fotografando, cedo, as cenas do campismo
E escrevendo histórias novas junto ao Tejo,
Recordando Cacilhas no Mar do Humanismo…
 
Na moldura antiga com o seu farol!
Associado em tudo, sempre solidário
Nos movimentos humanos, de sol-a-sol,
Dá sempre o seu melhor esforço humanitário!
 
Oferecendo, magnânimo, as suas canseiras,
Bafejado, é certo, p`lo talento dos eleitos.
Articula histórias únicas e verdadeiras!
 
Recorta e congemina lendas virtuais.
Ãnda a escrever de Cacilhas os seus feitos:
Odes, contos, sonetos e quadras imortais!
 
 Aníbal Sequeira

(Fotografia de Luís Eme)


terça-feira, 12 de novembro de 2024

Poemas com Dedicatória (dois)

 


O magnifico
 
Fernando Miranda Barão
Escolheram o nome e te baptizaram
Real Barão nascido em Cacilhas
Nome que os teus amigos tem no coração
A vida que solidarizas e não empecilhas
Nesse abraço de muita fraternidade.
Dos amigos de amizade,
Os teus são até à eternidade
 
Mil anos de vida te desejo
Impossível, nem metusalem!!!
Realidade única, mas dos que tens, chegares mais alem
Amigo, gostaria, porque te quero bem,
Não sejam poucos ,mas mais de cem.
Dádiva preciosa dum beijo.
A todos amigos um festejo de alegria
 
Barão amigo, eu bem queria
A tua amizade da beira do Tejo
Raras virtualidades do anci-
Ão que todos nós vimos em ti:
O mais personalizado e magnifico que já vi
 

         Abrantes Raposo

(Fotografia do Arquivo Histórico da SCALA) 


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Poemas com Dedicatória (um)



Um Homem

Um homem que altura tem?
Como se mede a sua dimensão?
Será que é o metro que convém
Quando se quer medir um coração?
 
A medida dum homem não existe,
Um homem não cabe nas medidas,
Um homem é aquilo que persiste
E vive numa vida muitas vidas.
 
Um homem, se o é, é vertical,
É forte e fraco, é meigo e duro,
Corajoso no medo, tímido e frontal,
Céptico e crente, humilde mas seguro,
 
Amigo sem prazo ou condição,
Louco e lúcido, frio e apaixonado,
Consciente do erro ou da razão,
E à honestidade agrilhoado.
 
Pássaro livre que voa em qualquer céu,
Bruta fera em defesa dos caídos
Que mil vezes morreu e renasceu
Nos caminhos achados e perdidos.
 
E mesmo quando fica a sós consigo
Não há ditaduras que o domem…
É por isso que te digo meu amigo:
Tens a medida certa, és um homem!
 
Nogueira Pardal


Nota: Houve vários amigos que escreveram poemas dedicados a Fernando Barão, em mais uma homenagem que lhe foi feita no seio da SCALA, na passagem do seu 85.º aniversário, que iremos publicar por aqui, neste Novembro, que ainda é pouco invernoso...


(Fotografia de Gena Souza) 


domingo, 25 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (18)


Tejo dos Golfinhos

Fechámos os olhos e as águas mudaram de cor.
Rio de golfinhos que morreram ou fugiram...
E nós, os participantes, ficámos tristes, saudosos, 
arrependidos da nossa inércia...
Mas... são eles que mandam, são eles que autorizam,
são eles que fazem parte dos grupos...
Rio de golfinhos onde a mensagem da vida sucumbiu,
onde os velhos motores te recusam o vai-vem matraqueado.
Rio de golfinhos, para quando a 
reencarnação do teu nome?

[Fernando Barão, in "Margem Sul"]

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 13 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (17)

 

Na Praia

O marulhar das ondas
Era o único ruído na praia.

Tu, no horizonte, flutuando,
Vinhas iluminada pelos restos do Sol.

A Lua já se desenhava no alto
P'ra nos preparar uma noite
Sem sono, toda de atalaia
Com o azul do céu como lençol.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]


(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (16)

 

Azul

Por que será
que o azul do céu
se confunde
com o azul do mar?
E por que será
que também se confundem
com o azul dos teus olhos?
É por isso que eu
tenho amor a tudo o que é azulado.
Sinto-me alegre, feliz
esfuziantemente feliz.
Se aparece alguma infelicidade
é nos meus olhos:
é que também é azul
a ganga com que me visto.
Acabado o sonho
entro forçosamente na realidade...

[Fernando Barão]

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (15)


Naquela Rua

E era pequenino
e via tudo naquela rua: 
Rua principal
com ricos e pobres,
letrados e pobres,
bem vestidos e pobres,
solenes e pobres, 
imponentes e pobres.
Naquela rua,
quem sabia sorrir,
eram os pobres...

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, 20 de julho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (14)


Transparência

Gostava de ser tão leve,
tão leve e transparente,
que pudesse saltitar
de nenúfar em nenúfar
para enciumar a ténue brisa
e todos aqueles
que não são leves
nem transparentes.

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 10 de julho de 2024

100 poemas de Fernando Barão (13)

 

Incrível Almadense
 
 
Aconteceu no ano de quarenta e oito
Durante o século dezanove.
Naquele dia um de Outubro
Um Sol radioso pairou sobre Almada.
Era o Sol de uma força que se move,
Uma força que procura a nova estrada,
Uma força imparável,
Aquela que agita o povo,
Era a mensagem inabalável,
Algo de novo,
Que tornaria esta terra idolatrada.
E o homem,
Embora com boas intenções, gritou:
- Reparem, isso é inacreditável!
(era a personificação do velho do Restelo)
- Impossível! Por que razão dizê-lo:
- Altamente improvável!
- Absolutamente INCRÍVEL!
Nos sorrisos da resposta
Ia a certeza do porvir.
- Pois INCRÍVEL será!
E logo ali surgiu a nova aposta…
 
 
Fernando Barão
 
 
[In “Escapes de uma Vida”]


(Fotografia do arquivo histórico da Incrível Almadense, de 1948, quando o desfile do centenário da Colectividade Almadense passou em frente da casa e da ourivesaria de Fernando Barão em Cacilhas)


terça-feira, 18 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (12)


Os Poetas

À noite
os poetas procuram as estrelas.
Meditam,
e há quem diga
que até as vêem de dia.
É bom olhar para cima!
Mas pobres dos poetas
quando olham para baixo...

Fernando Barão

(Fotografia de Gena Souza)


segunda-feira, 10 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (11)


Camões

Camões, grande Camões...
Não sei se foste o maior poeta português. 
Não sei se foste o poeta mais infeliz.
Sei que tem havido neste país, de letras lusitanas, muitos bons poetas e muitos grandes infelizes (alguns também poetas).
Mas sei que foste escolhido como padrão simbólico da raça nacional e isso coloca-te na elevação máxima da poesia portuguesa.
Eu, por mim, reconheço que tens, nos teus poemas, a tal sintonia musical que tanto adoro...
Se tivesse tempo para te homenagear fa-lo-ia em verso.
Aqui vai a tentativa.


O Retrato de Camões

Embora por caminhos controversos
Essa sabedoria de fio d' água
transformou-se em oceano.

Houve planícies e montes tão diversos
Que encheram o teu ser de grande mágoa
E levaram o teu rumo a todo o pano.

E essa vida errante
Aumentou-te conhecimentos
Que te fizeram glorioso e humano...

Oh poeta de contrastes,
Épico e amoroso,
Bem ufano
Entre as damas de cordel e do paço,
Das brigas arruaceiras sem cansaço,
Do espírito tirano.
Só que o teu valor sobrepujou
Todos os acidentes
Nesse teu viver insano.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]



segunda-feira, 3 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (10)


Voluntários: Valores de Humanidade

Zumbem sirenes pela rua
Os fachos luminosos em seus fadários
Alarmam por intermitências circulares. 
Enfeitando os carros barulhentos
Lá vão os intrépidos voluntários.
Homens altivos a cumprir uma missão
Só  receando que a urgência
Tenha de sofrer afrouxamentos.
Há valores que se estão a perder,
Vidas que correm perigo
E o caminho é só: o do  DEVER.
Entretanto tu, pobre mortal,
Olhas o aparato, impaciente,
E continuas passeando ao lado de um amigo,
Vais até ao cinema ou ao café,
Como se na vida
Só isso tivesse significação.
Não pensas, nem meditas,
No esforço dos HOMENS DA VERDADE.
Até já perdeste a fé.
És um vencido,
Bem mais propenso para a maldade,
Um cego que nem sequer vê,
Que muito acima do teu comportamento,
Existem autênticos valores de HUMANIDADE.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas) 

sábado, 1 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (9)



A Voz das Crianças

A voz de uma criança
tem o timbre musical
da inocência.
É uma voz real e irreal...
Será a harpa dedilhada pelo anjo
pensando em Mozart;
será Vivaldi em violino nostálgico; 
ou Chopin em piano melodioso;
ou ainda Schubert, em flauta,
ao desafio com o canto dos pássaros.
Por que será que as perguntas das crianças
ficam muitas vezes sem respostas?
Talvez porque aos adultos
não convém aquela música...

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]


(Fotografia de Eduardo Gageiro)


quarta-feira, 29 de maio de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (8)

 

Quarenta e Nove anos
Ginásio!

Quarenta e nove anos já estão passados,
Onde a alegria e a tristeza
Andaram de mãos dadas com certeza
Num trajecto dos mais ambicionados.

E se em honra aos nossos antepassados,
Tudo se fez com a maior firmeza"
Nós continuaremos numa reza
A evangelizar os mais ousados.

Teu belo pavilhão bem altaneiro
A todos honraria pela sua parte,
E se não teve o lugar cimeiro

É p'lo menos digno de melhor conta,
Pois se nasceu para ser pioneiro,
Nada a destruirá; nem a morte!

Fernando Barão


Nota: Este é o poema da polémica, declamado na cerimónia das comemorações do 49.º aniversário do Ginásio Clube do Sul e publicado a 7 de Junho de 1969, no "Jornal de Almada", no suplemento "Jornal das Colectividades" e em que a palavra "pavilhão" fez bastante "comichão" a Glória Pacheco...


sexta-feira, 17 de maio de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (7)


Ao Ginásio Clube do Sul

Logo em pequenino
M'encaminhei pró verde e branco.
Era de Cacilhas, 
A minha Terra.
Verde dos olhos na esperança, 
Branco na alva do futuro
Ambicionando por aqueles homens
Íntimos do rio dos golfinhos,
E fizeram planos,
E conjecturaram caminhos,
E deram-se ao trabalho
No sentimento do incerto
Que frutificou certezas,
Que cimentou razões dos mais ousados,
Que naturalizou vicissitudes
De mãos dadas
Com êxitos imparáveis.
E o verde e branco cá está
No centro do pedestal.
- Vais longe verde e branco!
- Vais longe Ginásio!
O teu horizonte vai-se perder
Só nas lonjuras dos infinitos.
Verde e branco, 
Sempre verde e branco...

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]

(no dia de aniversário do Ginásio...)

(Fotografia de Álvaro Costa)


domingo, 28 de abril de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (6)


Amor
  
Quando oiço a tua voz enfraquecida
Olhando para o chão
Fico a relembrar
Tudo quanto eras querida.
 
Quando volteavas no ar
Ao som da música apetecida
E eu era o teu par.
 
Hoje dançamos doutra maneira,
Na corda bamba da velhice,
Com o anátema da canseira.
 
Mas tu, ainda és tu,
E eu, ainda sou eu.
Dêmos graças a Deus
P’lo destino que nos guiou,
Pois não sei,
Se debaixo destes céus,
Houve quem mais amou.
 
[Fernando Barão, in “Escapes de uma Vida”]


(Fotografia do Arquivo da família de Fernando Barão)

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Um Poema de homenagem ao Fotógrafo...

 


O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais
 
Prepara tudo com cuidado
a “kodak” é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas
 
A sua Isabel fica ao balção
e ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão.
 
Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.
 
 [Luís Alves Milheiro, in "Ginjal 1940 (1º Volume)"]


(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 11 de abril de 2024

100 poemas de Fernando Barão (5)

 

Farol de Cacilhas

Lembro o seu pragmatismo nas manhãs de nevoeiro
a caminho do liceu
havia ali uma luz cintilante e um sinal sonoro
que inspiravam força ao navegante
e tornavam a travessia confiante.
Um dia foi-se. Por quê, para onde?
Talvez para os confins do desconhecido.
A recordação, a saudade, fundamentavam-se
na indecoração das novas tecnologias.
Talvez por isso o seu lugar vazio
ainda atrai à vista.

[Fernando Barão, in "Margem Sul"]

(Fotografia de Luís Eme)

O prometido "Largo Fernando Barão" tornou-se realidade

Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...