(Fotografia de Elsa Carvalho)
um blogue que homenageia e recorda uma das grandes figuras de Cacilhas do século XX
(Fotografia de Elsa Carvalho)
(Fotografia de Luís Eme)
(Fotografia do Arquivo Histórico da SCALA)
Nota: Houve vários amigos que escreveram poemas dedicados a Fernando Barão, em mais uma homenagem que lhe foi feita no seio da SCALA, na passagem do seu 85.º aniversário, que iremos publicar por aqui, neste Novembro, que ainda é pouco invernoso...
(Fotografia de Gena Souza)
Incrível
Almadense
Aconteceu
no ano de quarenta e oito
Durante
o século dezanove.
Naquele
dia um de Outubro
Um
Sol radioso pairou sobre Almada.
Era
o Sol de uma força que se move,
Uma
força que procura a nova estrada,
Uma
força imparável,
Aquela
que agita o povo,
Era
a mensagem inabalável,
Algo
de novo,
Que
tornaria esta terra idolatrada.
E o homem,
Embora com boas intenções, gritou:
-
Reparem, isso é inacreditável!
(era
a personificação do velho do Restelo)
-
Impossível! Por que razão dizê-lo:
-
Altamente improvável!
-
Absolutamente INCRÍVEL!
Nos
sorrisos da resposta
Ia
a certeza do porvir.
-
Pois INCRÍVEL será!
E
logo ali surgiu a nova aposta…
Fernando
Barão
[In
“Escapes de uma Vida”]
(Fotografia do arquivo histórico da Incrível Almadense, de 1948, quando o desfile do centenário da Colectividade Almadense passou em frente da casa e da ourivesaria de Fernando Barão em Cacilhas)
Camões, grande Camões...
Não sei se foste o maior poeta português.
Não sei se foste o poeta mais infeliz.
Sei que tem havido neste país, de letras lusitanas, muitos bons poetas e muitos grandes infelizes (alguns também poetas).
Mas sei que foste escolhido como padrão simbólico da raça nacional e isso coloca-te na elevação máxima da poesia portuguesa.
Eu, por mim, reconheço que tens, nos teus poemas, a tal sintonia musical que tanto adoro...
Se tivesse tempo para te homenagear fa-lo-ia em verso.
Aqui vai a tentativa.
O Retrato de Camões
Embora por caminhos controversos
Essa sabedoria de fio d' água
transformou-se em oceano.
Houve planícies e montes tão diversos
Que encheram o teu ser de grande mágoa
E levaram o teu rumo a todo o pano.
E essa vida errante
Aumentou-te conhecimentos
Que te fizeram glorioso e humano...
Oh poeta de contrastes,
Épico e amoroso,
Bem ufano
Entre as damas de cordel e do paço,
Das brigas arruaceiras sem cansaço,
Do espírito tirano.
Só que o teu valor sobrepujou
Todos os acidentes
Nesse teu viver insano.
[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]
Nota: Este é o poema da polémica, declamado na cerimónia das comemorações do 49.º aniversário do Ginásio Clube do Sul e publicado a 7 de Junho de 1969, no "Jornal de Almada", no suplemento "Jornal das Colectividades" e em que a palavra "pavilhão" fez bastante "comichão" a Glória Pacheco...
Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...