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terça-feira, 8 de outubro de 2024

"Fernando Barão: (Quase) Tudo o Que Vivi"


O livro, "Fernando Barão: Quase Tudo o Que Vivi", que será apresentado no próximo sábado, da autoria de Luís Alves Milheiro, é o resultado de várias conversas entre estes dois amigos, que aconteceram na Verdizela, nos anos de 2018 e 2019. 

Conversas que depois foram complementadas por duas entrevistas anteriores (uma delas publicada no boletim "O Scala"), por artigos publicados na imprensa local, em boletins associativos e ainda algumas das histórias pessoais, presentes nos seus livros.

Isto aconteceu porque apesar de ter ainda uma boa memória aos 94 e 95 anos, surgiam sempre algumas dúvidas, nas viagens que fazia pelo passado, pela história das suas colectividades, e claro, da sua vida. Era o próprio Fernando, que sugeria a consulta dum ou outro livro. Ou a conversa com uma ou outra pessoa, que também tivesse sido "actor", num ou outro acontecimento.

(Fotografia tirada em 2019, meses antes de nos deixar, durante uma das últimas entrevistas...)


domingo, 15 de setembro de 2024

Fernando Barão: júri do Concurso de Fotografia "Almada a Terra e as Gentes"


O Concurso de Fotografia, "Almada a Terra e as Gentes", foi uma das boas iniciativas que a SCALA apadrinhou (a ideia e o projecto inicial foi desenvolvido por José Luís Guimarães), visitando todas as Freguesias do Concelho, quando ainda eram onze.

Após a terceira edição (Cacilhas, Almada, Caparica), o grupo que desenvolvia o projecto pediu a demissão. 

A SCALA, ciente da importância desta iniciativa, uniu-se e fez esforços para que esta tivesse continuidade e visitasse as Freguesias que faltavam (Charneca de Caparica, Costa de Caparica, Cova da Piedade, Feijó, Laranjeiro, Pragal, Sobreda e Trafaria).

Felizmente, conseguimos levar a tarefa a bom Porto.

Fernando Barão, além de ter dado um apoio inexcedível à continuidade do Concurso, foi membro do júri em seis das suas edições.


terça-feira, 10 de setembro de 2024

Fernando Barão e o "Prémio Scalano"


Uma das coisas que sempre irritou alguns almadenses (como foi caso do Fernando...), com conhecimento histórico e honestos, intelectualmente, foi a forma com eram atribuídas as medalhas de mérito municipais.

Todos nós ficávamos com a sensação de que a principal razão para estas atribuições, era possuir o cartão de militante PCP. Até mesmo alguns amigos comunistas se insurgiram, aqui e ali, com esta dualidade de critérios.

Esta terá sido a principal razão para o Fernando Barão apresentar a proposta do "Prémio Scalano", numa reunião de Corpos Gerentes da SCALA, a existência de um Prémio completamente independente, do poder político ou de outro poder qualquer.

A proposta foi bem acolhida e teve como primeiro vencedor, Manuel Cargaleiro (2000). Foram também premiados Alexandre M. Flores (2001) Joaquim Benite (2002), Adelino Moura (2003), Aníbal Sequeira (2004), Louro Artur (2005), Alexandre Castanheira (2006), Luís Barros (2007).

O "Prémio Scalamo" não teve continuidade, porque não se adquiriram novos troféus. Claro que houve outro problema, nunca se conseguiu despertar o interesse dos associados da SCALA pela iniciativa. As propostas apresentadas, além de reduzidas, tiveram quase sempre os mesmos proponentes, como foi o caso do Fernando.

Isto acaba por "matar" qualquer prémio, por mais bem intencionado que ele seja...

(Fotografia de Luís Eme - Cerimónia de entrega do Prémio a Joaquim Benite)


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Recordar as "Tertúlias" em Setembro...


E estamos em Setembro...

Normalmente era o mês do regresso às actividades culturais no seio da SCALA.

Quando organizávamos as "Tertúlias do Dragão", havia sempre alguma expectativa e muita vontade de nos voltarmos a encontrar e conviver, sempre com a cultura à nossa mesa.

O Fernando além de ter sido o "pai" das "Tertúlias", também deu um forte contributo para o memorável ambiente familiar que se viveu durante mais de uma década no primeiro andar do Café "Dragão Vermelho".

Os convidados eram importantes, mas ainda mais importantes éramos, nós, que fazíamos parte da "família tertuliana".

Desta vez não vou falar em nomes. Falo apenas do Fernando e da Isabel.

(Fotografia de Tito Banza)


domingo, 25 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (18)


Tejo dos Golfinhos

Fechámos os olhos e as águas mudaram de cor.
Rio de golfinhos que morreram ou fugiram...
E nós, os participantes, ficámos tristes, saudosos, 
arrependidos da nossa inércia...
Mas... são eles que mandam, são eles que autorizam,
são eles que fazem parte dos grupos...
Rio de golfinhos onde a mensagem da vida sucumbiu,
onde os velhos motores te recusam o vai-vem matraqueado.
Rio de golfinhos, para quando a 
reencarnação do teu nome?

[Fernando Barão, in "Margem Sul"]

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 13 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (17)

 

Na Praia

O marulhar das ondas
Era o único ruído na praia.

Tu, no horizonte, flutuando,
Vinhas iluminada pelos restos do Sol.

A Lua já se desenhava no alto
P'ra nos preparar uma noite
Sem sono, toda de atalaia
Com o azul do céu como lençol.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]


(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (15)


Naquela Rua

E era pequenino
e via tudo naquela rua: 
Rua principal
com ricos e pobres,
letrados e pobres,
bem vestidos e pobres,
solenes e pobres, 
imponentes e pobres.
Naquela rua,
quem sabia sorrir,
eram os pobres...

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 29 de maio de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (8)

 

Quarenta e Nove anos
Ginásio!

Quarenta e nove anos já estão passados,
Onde a alegria e a tristeza
Andaram de mãos dadas com certeza
Num trajecto dos mais ambicionados.

E se em honra aos nossos antepassados,
Tudo se fez com a maior firmeza"
Nós continuaremos numa reza
A evangelizar os mais ousados.

Teu belo pavilhão bem altaneiro
A todos honraria pela sua parte,
E se não teve o lugar cimeiro

É p'lo menos digno de melhor conta,
Pois se nasceu para ser pioneiro,
Nada a destruirá; nem a morte!

Fernando Barão


Nota: Este é o poema da polémica, declamado na cerimónia das comemorações do 49.º aniversário do Ginásio Clube do Sul e publicado a 7 de Junho de 1969, no "Jornal de Almada", no suplemento "Jornal das Colectividades" e em que a palavra "pavilhão" fez bastante "comichão" a Glória Pacheco...


quinta-feira, 11 de abril de 2024

100 poemas de Fernando Barão (5)

 

Farol de Cacilhas

Lembro o seu pragmatismo nas manhãs de nevoeiro
a caminho do liceu
havia ali uma luz cintilante e um sinal sonoro
que inspiravam força ao navegante
e tornavam a travessia confiante.
Um dia foi-se. Por quê, para onde?
Talvez para os confins do desconhecido.
A recordação, a saudade, fundamentavam-se
na indecoração das novas tecnologias.
Talvez por isso o seu lugar vazio
ainda atrai à vista.

[Fernando Barão, in "Margem Sul"]

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, 17 de março de 2024

«A Festa foi boa, Fernando»


«A festa de ontem, foi boa, Fernando, na nossa Incrível.

Deves ter gostado de tudo.  Do pequeno documentário realizado pelo teu neto, Pedro, que além de muitas imagens com história, tem o testemunho de vários amigos e também dos teus familiares mais próximos. Claro que há um testemunho que sobressai sobre todos os outros, o da tua filha Fátima, por ser provavelmente quem melhor te conhece e também quem mais te ama, de entre todos nós, que estamos no lado de cá.

Por isso o seu testemunho teve muita informação, alguma mais pessoal, mas o que mais se salientou, foi o amor filial e o enorme orgulho de ser tua filha (e da Isabel, que esteve presente a teu lado, como sempre...), porque tu foste mesmo grande, a altura que constava no bilhete de identidade estava errada... Podias muito bem ser jogador de basquete, e dos bons.

Depois seguiu-se um pequeno concerto da Banda da Incrível, que como de costume, respira talento e juventude. E como tu gostavas de música e de filarmónicas. Não foi por acaso que foste um dos bons beneméritos deste agrupamento musical associativo, que nos anda a dar música há três séculos. Ias sentir-te orgulhoso desta homenagem de uma das muitas casas colectivas que amavas e onde deixaste a tua marca, como dirigente e como associado.

A festa podia ter acabado aqui, mas ainda havia a parte mais formal, com os discursos dos elementos da Comissão de Honra, que foram intervalados pela leitura de alguns poemas. 

Discursaram: Fernando Dias (o teu genro leu um testemunho de teu amigo Diamantino), Luís Milheiro, Henrique Costa Mota, Artur Vaz, Alexandre M. Flores, Rui Raposo (O Farol), Beatriz Ferreira (Ginásio Clube do Sul), Carlos Pinto (Bombeiros Voluntários de Cacilhas), Luís Ramos (Clube de Campismo de Almada), Fernando Viana (Incrível Almadense), Joaquim Barbosa (Santa Casa da Misericórdia), António Matos (Vereador do Município) Maria de Assis (União de Juntas de Almada), Ivan Gonçalves (Assembleia Municipal de Almada) e Ana Catarina Mendes (Ministra do Governo Socialista ainda em funções)

Declamaram poemas: Maria Gertrudes Novais, Fátima Dias Barão, António Boeiro (e outro senhor, que não fixámos o nome...).

Para a sessão acabar com "chave de ouro", vimos e ouvimos uma mensagem da Presidente da Câmara de Almada,  Inês Medeiros, que estava ausente do País, para ti.

E o mais importante, estava na plateia e nas galerias, muitos amigos que não quiseram perder esta oportunidade de te recordar e abraçar. Gratos pelo teu companheirismo, pela tua amizade e alegria, sempre contagiante.»

Nota: Crónica escrita em jeito de carta, para Fernando Barão, um amigo inesquecível, que como já perceberam, fez cem anos em Janeiro, e que iremos homenagear e festejar, até pelo menos, ao mês de Janeiro de 2025. Publicada primeiramente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, 2 de março de 2024

"Fernando Barão: o elemento com mais importância e peso na SCALA"


«Nunca tivemos medo das palavras, e sempre estivemos atentos ao que nos rodeava. É por isso que dizemos, sem qualquer dúvida, que Fernando Barão foi o elemento com mais importância e peso  cultural da SCALA.

O crescimento  e a abrangência que se deu nos primeiros dez anos (impensável para muitos...)  de vida da SCALA, devem-se muito a ele. À paixão pelas coisas da cultura ele somava uma série de atributos humanos, que conseguiam conquistar gente de quase todas as áreas das artes e letras.

O que poderia ser uma simples Sociedade Literária (a maior parte dos fundadores estava ligada ao mundo das letras), estendeu-se para as artes plásticas, para a fotografia, e para todos os géneros de cultura, ao ponto de se darem passos para a organização de uma exposição artística anual, que hoje é a nossa "Festa das Artes da SCALA" (e já vai na sua 29.ª edição...).

O seu carisma, aliado à vontade de fazer, de criar, conquistaram alguns bons seguidores (como foi o nosso caso), porque finalmente tinha uma Associação apenas Cultural (sem o desporto e o recreio a confundir as coisas), para aproximar a cultura das pessoas, para que se tornasse mais fácil pensarem pelas suas cabecinhas. E depois tinha outra coisa muito importante, além de "influenciador", era um "facilitador", no que existe de melhor nesta palavra. Sempre que podia, tornava o difícil fácil, desarmando os "velhos do restelo" (que andam sempre à nossa volta), que preferiam o comodismo à activismo.

O Fernando, além de todas estas coisas, tinha ainda uma grande generosidade. Gostava de surpreender, ensinar e divertir os outros. Mesmo as anedotas que tanto gostava de nos oferecer, muitas vezes tinham uma importante componente social.

Provavelmente as "Tertúlias do Dragão" são aquilo que mais lhe conseguimos colar à pele, por tudo o que elas tiveram de positivo junto de muitos de nós: a oferta de cultura com a possibilidade de convivermos, sempre num ambiente de grande amizade e companheirismo, e até de cumplicidade.» 

Nota: texto publicado inicialmente no blogue da SCALA, o primeiro da série "Gente da História da SCALA", nas comemorações do 30.º aniversário da Associação.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Tudo começou no Ginásio Clube do Sul...


O Ginásio Clube do Sul tinha sido fundado menos de quatro anos antes do nascimento do Fernando Barão. Por múltiplas razões, inclusive a sua localização geográfica, em pouco tempo tornou-se a grande referência, associativa e desportiva, de Cacilhas.

Fernando Barão começou por ser atleta do Clube. Fez ginástica desportiva e atletismo (treinado pelo seu melhor amigo, Henrique Mota, companheiro de tantas aventuras associativas, desportivas e culturais...).

Depois foi muitas coisas... dirigente, com múltiplos cargos, ocupando também os seus cargos máximos, como Presidente de Direcção e Presidente da Mesa da Assembleia Geral, em vários mandatos.

Graças à sua criatividade e ao seu espírito de iniciativa foi o promotor de muitas actividades culturais ao longo dos anos. Talvez a mais relevante tenha sido a sua participação nas comemorações do cinquentenário do Ginásio, com a organização do "1.º Encontro das Colectividades Populares de Almada" e do colóquio, "Problemas da Juventude", que se realizou em 1970 e chamou a atenção da PIDE/ DGS, para não variar...

Toda esta vivência ginasista (e conhecimento), fez com que escrevesse em parceria com o seu amigo de sempre, Henrique Mota, a história do Ginásio Clube do Sul, nas comemorações dos 75 anos da vida da Colectividade Cacilhense. Livro que seria intitulado, "Ginásio Clube do Sul - 75 anos de Glória".

Foi também o ideólogo do "Prémio Literário Henrique Mota", na vertente do conto desportivo, em homenagem ao seu grande amigo, um ano depois deste nos ter deixado, que seria organizado pelo Ginásio Clube do Sul e pela SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada.

Como recompensa de toda esta dedicação foi premiado com os Diplomas de Sócio de Mérito e de Sócio Honorário e também com o "Prémio Ginasista", sendo hoje uma das grandes figuras da história da Colectividade Cacilhense.

(Fotografia de Álvaro Costa)


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

O Fernando, estudante e comerciante


Fernando Barão por ser filho único de um comerciante de Cacilhas, foi uma criança privilegiada, que felizmente pode continuar a estudar, depois de concluir o ensino primário.

Com a ausência de qualquer estabelecimento de ensino secundário (mesmo particular...) no Concelho de Almada, nos anos 1930 e 1940 (só na segunda metade dos anos 1950 é que surgiu o "Colégio do Gato" e mais tarde o "Externato Frei Luís de Sousa"...), Fernando Barão matriculou-se no Liceu Passos Manuel, onde fez o ensino liceal.

A sua paixão pela natureza e pelos animais fez com que a sua opção universitária fosse o curso de ciências veterinárias. A quase ausência de saídas profissionais (a via militar era quase a única possibilidade...) e alguma desilusão com o curso, fez com que desistisse e arranjasse emprego na função pública.

Quem não ia achando grande piada a estas escolhas profissionais era o mestre relojoeiro e ourives, António Severino, seu pai, que o desafiara mais que uma vez a trabalhar a seu lado no estabelecimento de Cacilhas (até por ser o único herdeiro...). Ao fim de muitas tentativas lá conseguiu convencer o filho, que não só se tornou o grande companheiro do pai como acabaria por herdar o negócio, mantendo a relojoaria e ourivesaria aberta até se reformar, no começo da Cândido dos Reis...

Apesar de pequena, a loja estava sempre cheia de amigos. Era local de passagem de associativistas, campistas, caçadores, pescadores e outros contadores de histórias, que paravam sempre por ali, nem que fosse por cinco minutos, para ouvirem ou partilharem qualquer história ou anedota, o que acabava por lhes abrir o sorriso e dar ânimo para o resto da viagem, graças ao "Barão de Cacilhas"...


O prometido "Largo Fernando Barão" tornou-se realidade

Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...