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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

A Cerimónia de Lançamento do Livro...


A ausência de qualquer imagem, fez com que a crónica da cerimónia do lançamento do livro sobre Fernando Barão, fosse adiada por alguns dias (obrigado, Gil...).

Mas era impossível não escrever sobre a tarde de 12 de Outubro, que se revelou memorável, graças ao aparecimento das mais de cem pessoas (algo de invulgar nos dias que correm...), que lotaram a Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia. Tantos amigos que não faltaram a este encontro, para o homenagear, recordando-o, ao mesmo tempo que adquiriam o livro, "Fernando Barão: (Quase) Toda a Minha vida", da autoria de Luís Alves Milheiro.


A mesa foi composta por Filipe Pacheco, vereador do Município de Almada, Maria D' Assis, presidente da União de Juntas de Freguesia de Almada, Fátima Barão Dias, filha do homenageado, Luís Milheiro, autor da obra e a professora Edite Condeixa e o dirigente associativo, Henrique Mota, que repartiram a apresentação da obra.

Para que este evento começasse de uma forma alegre, Francisco Gonçalves, contou uma das muitas anedotas que o Fernando Barão gostava de contar nos "Fogos de Campo", nos seus bons tempos de campista.

Depois foi a vez da Fátima Barão Dias, falar com emoção do pai, contando alguns episódios da sua convivência de setenta anos, com um homem especial, que sempre amou e admirou.

Maria D' Assis contou que conheceu Fernando Barão, quando entrou para a Santa Casa da Misericórdia de Almada, onde ele era o Provedor. Um Provedor de boa memória para todos.

Filipe Pacheco, em representação da Autarquia, deu a boa nova da atribuição do "Largo Fernando Barão", no conhecido, "Largo dos Bombeiros de Cacilhas", onde hoje fica o Centro de Turismo de Almada (que emocionou e alegrou todos os presentes...).

Henrique Mota deu o seu testemunho pessoal, sobre alguém que foi sempre o grande amigo de seu pai, e claro, seu amigo também. Enalteceu a sua importância no tecido associativo local, graças às suas qualidades humanas e ao seu saber.

Edite Condeixa começou a sua intervenção, recordando as visitas do Fernando à escola onde dava aulas (António da Costa), assim como de outros vultos da literatura almadense. A sua alegria e o seu humor contagiante, faziam as delícias dos alunos. Depois abordou de uma forma sintética a sua obra literária e as suas qualidades como "contador de histórias".

Entre estas intervenções, escutaram-se dois poemas da autoria do nosso Barão, lidos pelas suas bisnetas, Isabel e Luísa.

Luís Milheiro agradeceu a presença de tantos amigos e contou como tudo aconteceu, como nasceu este livro, eram as conversas com Fernando Barão na Verdizela, os almoços no "Solar das Tílias", sem se esquecer de dizer que este livro não é um "ajuste de contas" com ninguém, nem mesmo com a vida, mas sim a tentativa de esclarecer alguns pontos, com mais que uma versão. E não há nada melhor que a versão do próprio, do Fernando Barão...

Fátima Barão Dias fechou esta sessão memorável com a leitura do pequeno texto da sua autoria, que está presente no final do livro (juntamente com o testemunho do seu companheiro, também Fernando, e dos seus três filhos, Joana, Isaque e Pedro).

(Fotografias de Gil Marovas)


sábado, 12 de outubro de 2024

O que se diz e o que fica por dizer (o improviso é isso)...


Provavelmente devia esperar por amanhã, para falar de hoje.

Sabia que a sala iria estar cheia, mas não estava à espera que aparecessem mais de cem pessoas ao lançamento do livro que escrevi com Fernando Barão, numa das homenagens com mais sentido, na comemoração do centenário do seu nascimento (isto aconteceu graças ao homenageado e não ao autor da obra...).

Tinha pensado não levar nenhum papel escrito. Mas acabei por levar umas notas. Claro que durante a minha intervenção falei sempre de improviso e afastei-me algumas vezes do livro e quase sempre das notas, porque a minha convivência associativa e cultural com este amigo, levou-me a divagar aqui e ali.

Embora não me tenha esquecido de nada de muito relevante, sei que poderia ter feito referência a uma ou outra pessoa (nem sequer agradeci as palavras do Henrique e da Edite, que apresentaram a obra...). Chamaram-me a atenção para um destes "esquecimentos" na mesa (do Luís, que fez uma leitura crítica mais importante que a própria revisão do livro).

Nos outros não sei, mas em mim é natural estes esquecimentos. Tento falar apenas do essencial. Isso fez com que posteriormente ficasse com a sensação, de não ter falado tanto quanto devia da minha relação com o Fernando, até por estarmos quase sempre de acordo nas questões ligadas à cultura e ao associativismo. Algo que acontecia de uma forma natural, e aberta, sem usarmos qualquer tipo de subterfugio.

Embora pense que isso está bem espelhado neste nosso livro.  

Poderia ter falado também do Henrique (pai), do Orlando e do Carlos Guilherme, tão importantes também na minha caminhada cultural e associativa por Almada. Podia, mas não era o mais relevante.

Relevante foi ter na primeira fila dois amigos, cuja idade somada, está a aproximar-se a passos largos dos 190 anos, e não lhes agradecer de forma devida, a amizade, o companheirismo e a tolerância (que faz deles dois dos melhores seres humanos que tive a oportunidade de conhecer nesta Cidade, que praticou durante tantos anos a solidariedade, enquanto acto cívico e não "arranjo floral" de discursos.

Mas tanto um como o outro sabem o que penso deles. E que bom que é continuar a ter amigos como o Chico (que abriu a sessão com uma bela anedota do Fernando...) e Diamantino, "vivinhos da silva", que o que precisavam mesmo era de "uns joelhos novos" (tal como acontecia com o Fernando, o que ele mais se queixava era dos joelhos)...

Mas a vida é isto. Quando falamos de improviso, há coisas que dizemos, que "estavam fora do programa", e muitas outras, que ficam por dizer...

Nota: Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Elsa Carvalho - Cacilhas)


quinta-feira, 10 de outubro de 2024

O livro, por fora e por dentro...


Raramente se fala do livro, ainda que de uma forma resumida, da sua temática, do que existe lá dentro.

Por fora, acaba por ser mais simples (a capa e a contracapa...), a capa é viva e cheia de cor graças à aguarela de Mártio, com um motivo actual do Largo de Cacilhas, com a presença dos dois "autores". A contracapa tem uma fotografia de Luís Eme e um texto de Ermelinda Toscano.

Mas vamos lá ao interior, ao indice:

Começa por ter a apresentação feita pelo autor (cada vez menos adepto de prefácios...), depois fala da infância e da família de Fernando Barão; segue-se o Associativismo, a parte maior do livro, tal foi a sua importância na vida do Fernando, com passagens por todas as suas colectividades; não menos importante foi a Cultura (a que tentou fazer nas suas colectividades e a outra, de cariz mais individual, mesmo que tenha sido feita sempre a pensar nos outros (a fotografia e os livros); ainda dentro da cultura mas com abordagens individualizadas, seguem-se o jornalismo, a literatura; não menos importante é a política (pela forma aberta com que fala de tudo e de todos) e depois os lugares da sua vida.

Seguem-se alguns anexos, com uma relevância biográfica assinalável: "Retrato cronológico de uma vida";  "Currículo literário"; "Currículo associativo"; "Galardões e homenagens". 

E depois acaba da melhor maneira, com os testemunhos da filha, do genro e dos netos do Fernando, usando o título da homenagem do Centenário, "100 Anos e Sempre Barão".


terça-feira, 8 de outubro de 2024

"Fernando Barão: (Quase) Tudo o Que Vivi"


O livro, "Fernando Barão: Quase Tudo o Que Vivi", que será apresentado no próximo sábado, da autoria de Luís Alves Milheiro, é o resultado de várias conversas entre estes dois amigos, que aconteceram na Verdizela, nos anos de 2018 e 2019. 

Conversas que depois foram complementadas por duas entrevistas anteriores (uma delas publicada no boletim "O Scala"), por artigos publicados na imprensa local, em boletins associativos e ainda algumas das histórias pessoais, presentes nos seus livros.

Isto aconteceu porque apesar de ter ainda uma boa memória aos 94 e 95 anos, surgiam sempre algumas dúvidas, nas viagens que fazia pelo passado, pela história das suas colectividades, e claro, da sua vida. Era o próprio Fernando, que sugeria a consulta dum ou outro livro. Ou a conversa com uma ou outra pessoa, que também tivesse sido "actor", num ou outro acontecimento.

(Fotografia tirada em 2019, meses antes de nos deixar, durante uma das últimas entrevistas...)


domingo, 6 de outubro de 2024

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Depois do folheto de março vem aí o livro em Outubro...


Durante a cerimónia de homenagem a Fernando Barão, em que as suas colectividades se uniram e festejaram o Centenário do grande associativista e escritor almadense, foi oferecido a todos os presentes um folheto, editado pela União de Juntas de Freguesia de Almada, organizado pelos seus familiares, a partir do trabalho de investigação de Luís Alves Milheiro.

E agora, em Outubro, será tempo da apresentação de um livro diferente, em que é o próprio Fernando Barão que conta a história da sua vida, num conjunto de várias conversas com o amigo Luís Alves Milheiro.


segunda-feira, 10 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (11)


Camões

Camões, grande Camões...
Não sei se foste o maior poeta português. 
Não sei se foste o poeta mais infeliz.
Sei que tem havido neste país, de letras lusitanas, muitos bons poetas e muitos grandes infelizes (alguns também poetas).
Mas sei que foste escolhido como padrão simbólico da raça nacional e isso coloca-te na elevação máxima da poesia portuguesa.
Eu, por mim, reconheço que tens, nos teus poemas, a tal sintonia musical que tanto adoro...
Se tivesse tempo para te homenagear fa-lo-ia em verso.
Aqui vai a tentativa.


O Retrato de Camões

Embora por caminhos controversos
Essa sabedoria de fio d' água
transformou-se em oceano.

Houve planícies e montes tão diversos
Que encheram o teu ser de grande mágoa
E levaram o teu rumo a todo o pano.

E essa vida errante
Aumentou-te conhecimentos
Que te fizeram glorioso e humano...

Oh poeta de contrastes,
Épico e amoroso,
Bem ufano
Entre as damas de cordel e do paço,
Das brigas arruaceiras sem cansaço,
Do espírito tirano.
Só que o teu valor sobrepujou
Todos os acidentes
Nesse teu viver insano.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]



sábado, 1 de junho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (9)



A Voz das Crianças

A voz de uma criança
tem o timbre musical
da inocência.
É uma voz real e irreal...
Será a harpa dedilhada pelo anjo
pensando em Mozart;
será Vivaldi em violino nostálgico; 
ou Chopin em piano melodioso;
ou ainda Schubert, em flauta,
ao desafio com o canto dos pássaros.
Por que será que as perguntas das crianças
ficam muitas vezes sem respostas?
Talvez porque aos adultos
não convém aquela música...

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]


(Fotografia de Eduardo Gageiro)


sexta-feira, 17 de maio de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (7)


Ao Ginásio Clube do Sul

Logo em pequenino
M'encaminhei pró verde e branco.
Era de Cacilhas, 
A minha Terra.
Verde dos olhos na esperança, 
Branco na alva do futuro
Ambicionando por aqueles homens
Íntimos do rio dos golfinhos,
E fizeram planos,
E conjecturaram caminhos,
E deram-se ao trabalho
No sentimento do incerto
Que frutificou certezas,
Que cimentou razões dos mais ousados,
Que naturalizou vicissitudes
De mãos dadas
Com êxitos imparáveis.
E o verde e branco cá está
No centro do pedestal.
- Vais longe verde e branco!
- Vais longe Ginásio!
O teu horizonte vai-se perder
Só nas lonjuras dos infinitos.
Verde e branco, 
Sempre verde e branco...

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]

(no dia de aniversário do Ginásio...)

(Fotografia de Álvaro Costa)


domingo, 28 de abril de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (6)


Amor
  
Quando oiço a tua voz enfraquecida
Olhando para o chão
Fico a relembrar
Tudo quanto eras querida.
 
Quando volteavas no ar
Ao som da música apetecida
E eu era o teu par.
 
Hoje dançamos doutra maneira,
Na corda bamba da velhice,
Com o anátema da canseira.
 
Mas tu, ainda és tu,
E eu, ainda sou eu.
Dêmos graças a Deus
P’lo destino que nos guiou,
Pois não sei,
Se debaixo destes céus,
Houve quem mais amou.
 
[Fernando Barão, in “Escapes de uma Vida”]


(Fotografia do Arquivo da família de Fernando Barão)

O prometido "Largo Fernando Barão" tornou-se realidade

Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...