sábado, 21 de setembro de 2024

Fernando Barão e "O Scala"


Fernando Barão, além de ter sido o primeiro director do boletim "O Scala" (o número zero, de apresentação aos sócios e almadenses), foi um dos principais colaboradores deste órgão de informação associativo.

Ao longo das suas mais de cinquenta edições, foi a terceira pessoa com mais textos publicados (na maioria notícias sobre eventos, aquilo que poucos gostavam de fazer, por falta de jeito e de vontade...). Só Luís Milheiro e Diamantino Lourenço é que escreveram mais que o nosso "Barão de Cacilhas".

Em parte a escrita nos boletins das suas colectividades, foi a continuidade do trabalho de excelente cronista, que tanto deu nas vistas no "Jornal de Almada", nos anos sessenta e setenta do século passado.


domingo, 15 de setembro de 2024

Fernando Barão: júri do Concurso de Fotografia "Almada a Terra e as Gentes"


O Concurso de Fotografia, "Almada a Terra e as Gentes", foi uma das boas iniciativas que a SCALA apadrinhou (a ideia e o projecto inicial foi desenvolvido por José Luís Guimarães), visitando todas as Freguesias do Concelho, quando ainda eram onze.

Após a terceira edição (Cacilhas, Almada, Caparica), o grupo que desenvolvia o projecto pediu a demissão. 

A SCALA, ciente da importância desta iniciativa, uniu-se e fez esforços para que esta tivesse continuidade e visitasse as Freguesias que faltavam (Charneca de Caparica, Costa de Caparica, Cova da Piedade, Feijó, Laranjeiro, Pragal, Sobreda e Trafaria).

Felizmente, conseguimos levar a tarefa a bom Porto.

Fernando Barão, além de ter dado um apoio inexcedível à continuidade do Concurso, foi membro do júri em seis das suas edições.


terça-feira, 10 de setembro de 2024

Fernando Barão e o "Prémio Scalano"


Uma das coisas que sempre irritou alguns almadenses (como foi caso do Fernando...), com conhecimento histórico e honestos, intelectualmente, foi a forma com eram atribuídas as medalhas de mérito municipais.

Todos nós ficávamos com a sensação de que a principal razão para estas atribuições, era possuir o cartão de militante PCP. Até mesmo alguns amigos comunistas se insurgiram, aqui e ali, com esta dualidade de critérios.

Esta terá sido a principal razão para o Fernando Barão apresentar a proposta do "Prémio Scalano", numa reunião de Corpos Gerentes da SCALA, a existência de um Prémio completamente independente, do poder político ou de outro poder qualquer.

A proposta foi bem acolhida e teve como primeiro vencedor, Manuel Cargaleiro (2000). Foram também premiados Alexandre M. Flores (2001) Joaquim Benite (2002), Adelino Moura (2003), Aníbal Sequeira (2004), Louro Artur (2005), Alexandre Castanheira (2006), Luís Barros (2007).

O "Prémio Scalamo" não teve continuidade, porque não se adquiriram novos troféus. Claro que houve outro problema, nunca se conseguiu despertar o interesse dos associados da SCALA pela iniciativa. As propostas apresentadas, além de reduzidas, tiveram quase sempre os mesmos proponentes, como foi o caso do Fernando.

Isto acaba por "matar" qualquer prémio, por mais bem intencionado que ele seja...

(Fotografia de Luís Eme - Cerimónia de entrega do Prémio a Joaquim Benite)


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Recordar as "Tertúlias" em Setembro...


E estamos em Setembro...

Normalmente era o mês do regresso às actividades culturais no seio da SCALA.

Quando organizávamos as "Tertúlias do Dragão", havia sempre alguma expectativa e muita vontade de nos voltarmos a encontrar e conviver, sempre com a cultura à nossa mesa.

O Fernando além de ter sido o "pai" das "Tertúlias", também deu um forte contributo para o memorável ambiente familiar que se viveu durante mais de uma década no primeiro andar do Café "Dragão Vermelho".

Os convidados eram importantes, mas ainda mais importantes éramos, nós, que fazíamos parte da "família tertuliana".

Desta vez não vou falar em nomes. Falo apenas do Fernando e da Isabel.

(Fotografia de Tito Banza)


domingo, 25 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (18)


Tejo dos Golfinhos

Fechámos os olhos e as águas mudaram de cor.
Rio de golfinhos que morreram ou fugiram...
E nós, os participantes, ficámos tristes, saudosos, 
arrependidos da nossa inércia...
Mas... são eles que mandam, são eles que autorizam,
são eles que fazem parte dos grupos...
Rio de golfinhos onde a mensagem da vida sucumbiu,
onde os velhos motores te recusam o vai-vem matraqueado.
Rio de golfinhos, para quando a 
reencarnação do teu nome?

[Fernando Barão, in "Margem Sul"]

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 13 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (17)

 

Na Praia

O marulhar das ondas
Era o único ruído na praia.

Tu, no horizonte, flutuando,
Vinhas iluminada pelos restos do Sol.

A Lua já se desenhava no alto
P'ra nos preparar uma noite
Sem sono, toda de atalaia
Com o azul do céu como lençol.

[Fernando Barão, in "Escapes de uma Vida"]


(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (16)

 

Azul

Por que será
que o azul do céu
se confunde
com o azul do mar?
E por que será
que também se confundem
com o azul dos teus olhos?
É por isso que eu
tenho amor a tudo o que é azulado.
Sinto-me alegre, feliz
esfuziantemente feliz.
Se aparece alguma infelicidade
é nos meus olhos:
é que também é azul
a ganga com que me visto.
Acabado o sonho
entro forçosamente na realidade...

[Fernando Barão]

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (15)


Naquela Rua

E era pequenino
e via tudo naquela rua: 
Rua principal
com ricos e pobres,
letrados e pobres,
bem vestidos e pobres,
solenes e pobres, 
imponentes e pobres.
Naquela rua,
quem sabia sorrir,
eram os pobres...

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, 20 de julho de 2024

100 Poemas de Fernando Barão (14)


Transparência

Gostava de ser tão leve,
tão leve e transparente,
que pudesse saltitar
de nenúfar em nenúfar
para enciumar a ténue brisa
e todos aqueles
que não são leves
nem transparentes.

[Fernando Barão, in "A Sombra dos Sentimentos"]

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 16 de julho de 2024

A importância dos livros e quando Fernando Barão se vestiu de Fernão Mendes Pinto...


Um dos livros que levei para ler nas férias foi "Na Senda de Fernão Mendes Pinto", de Joaquim Magalhães de Castro.

O autor não só desmonta muitas das falsidades que se foram escrevendo sobre este grande aventureiro, que felizmente se tornou escritor de viagens, quando estes ainda não existiam, como prova a passagem desta figura histórica pela China, Japão e muitos outros orientes. É importante recordar que Fernão viveu os últimos anos da sua vida no Pragal, em Almada, onde escreveu a "Peregrinação".

Neste caso particular, o tempo tem sido amigo do escritor português, pois, ano após ano, o seu registo histórico vai-se valorizando, pela quantidade de informação - cada vez mais respeitada e enaltecida - que nos ofereceu e também pela forma como conta as suas peculiares epopeias, positivas e negativas. Ou seja, afinal não é o "mentiroso" que muitos pensavam e difundiam.

Publico esta fotografia especial, de um amigo que já não está por cá, porque neste ano de 2024, se comemora o centenário do seu nascimento: o também almadense Fernando Barão. Fotografia tirada numa tertúlia histórica de Almada ("As Tertúlias do Dragão", organizadas pela SCALA no Café Dragão Vermelho...), com o Fernando a encarnar com graça e história, o extraordinário Fernão Mendes Pinto.

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


O prometido "Largo Fernando Barão" tornou-se realidade

Depois do "Largo Fernando Barão" ter sido anunciado para Cacilhas, num lugar bastante feliz (no "Largo do Bombeiros Voluntár...